SoS: CRU

SoS e a eterna busca da alma.

Já há vários meses que recebi esse texto do Du Moreira, baixista da SoS. Nele, o Du fala sobre o nosso processo de trabalho e sobre a nossa busca em fazer o nosso melhor. Até aí tudo bem… só que o texto dele ficou tão legal que ficou difícil pra gente ilustrá-lo.

Chegou a hora de publicá-lo e de criar toda uma nova categoria no nosso blog por conta disso. A partir de agora,vamos documentar e postar detalhes do nosso processo de trabalho e para inaugurar essa coluna, vamos postar dois videozinhos do Agenor, nosso diretor musical programando alguns timbres de teclado para algumas músicas que tocamos.

Mas antes, vamos ao texto do Du:

“Existe uma dimensão do fazer musical que não se justifica apenas pelo desejo legítimo de agradar ao público. É algo que vem da motivação de cada músico em ter escolhido sua profissão. Diz respeito à maneira mais natural de se relacionar com a música, de fruir de seus objetos e paisagens, de transitar por seus vários estilos e escolhas. Isso claramente é sempre maior – ou deveria ser – do que a simples intenção de fazer um bom trabalho.

Para alguns, essa dimensão pode ser a liberdade da improvisação, para outros, uma postura de profundo esmero técnico, uma paixão por seu instrumento de escolha, por sua voz. Tem ainda os que estão na música e nas artes em geral por uma relação com o espelho, por algo do campo da sedução. Não se trata de comparar posturas ou motivações. Cada músico busca sua verdade, e não raro, ela é indistinguível de seu próprio estilo de vida. No entanto, há na SoS um fio condutor bem claro: somos entusiastas da música. Quase mais como ouvintes do que instrumentistas, nosso barato é tentar entender qual a verdade de cada estilo musical que executamos. Os ensaios e shows tomam a forma de homenagens às diversas genialidades que compuseram, arranjaram ou executaram as canções do nosso repertório. Os sintetizadores dos hits de Michael Jackson são pesquisados a fundo; os arranjos de sopros do Earth, Wind and Fire; a competência do brasileiro Lincoln Olivetti em transformar a década de 80 na música pop brasileira num show de proficiência e cuidado técnico-musical; o tiro certeiro do último álbum do Daft Punk; a tosqueira expressiva dos Strokes; a absoluta superioridade dos Beatles… tudo isso faz parte do nosso (não há outra palavra a ser usada aqui) tesão em tocar música.

Certamente, não tratamos de apenas chegar aos eventos, tocar o mais competentemente que conseguirmos e ir embora. No palco, os timbres eletrônicos do Depeche Mode que tanto tentamos reproduzir, renovam nosso entusiasmo. Poderíamos, claro, substituí-los por outros. O público dançaria da mesma forma. O solo que Eddie Van Halen gravou em Beat It não é indispensável, nem a linha de baixo que Paul McCartney gravou em Something, nem a curva dinâmica da melancolia de Comfortably Numb, do Pink Floyd. É possível ser um boa banda de covers sem atentar para detalhes desse tipo.

Só que não é disso que se trata estar na SoS.

música aqui.

E nosso prazer não é apenas tocá-la: é celebrá-la.”

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